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As eleições de 2026 no Território de Identidade da Bacia do Rio Corrente
Nota técnica de Robson Vieira dos Anjos, Agente de Desenvolvimento Territorial (Seplan)
Como votaram os eleitores dos onze municípios do Território no primeiro turno, em 4 de outubro, e no segundo turno presidencial, em 25 de outubro, em comparação com o pleito de 2022. O Território reuniu — eleitores aptos no primeiro turno de 2026.
Esta leitura descreve dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com neutralidade institucional: não avalia candidaturas, partidos ou programas, nem formula juízo sobre o resultado das urnas.
Nota técnica de Robson Vieira dos Anjos, Agente de Desenvolvimento Territorial (ADT) da Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia (Seplan), apresentada ao Colegiado Territorial de Desenvolvimento Sustentável (CODETER) da Bacia do Rio Corrente.
de abstenção no primeiro turno, ante — em 2022: uma queda maior que a do Estado.
dos votos para Deputado Estadual foram ao campo governista, ante — para Deputado Federal.
dos votos nominais para a Assembleia Legislativa foram para candidatos eleitos, ante — em 2022.
Dos vinte candidatos mais votados no Território, 13 se elegeram. Desses 13 eleitos, só 1 tem vínculo com o Território.
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Na tela grande, o mapa acompanha a leitura e muda de indicador a cada capítulo; o seletor acima dele troca o indicador a qualquer momento. Passar o cursor sobre um município mostra seus números; clicar abre a ficha completa e aproxima o mapa. As opções 2022, 2026 e Variação alternam entre os valores de cada ano e a diferença entre eles, e o botão “Comparar 2022 e 2026” troca o mapa por um gráfico de barras com a variação de cada município entre os dois anos, a partir do zero, e os valores de cada ano ao lado do nome; “Voltar ao mapa” desfaz a troca. Passar o cursor sobre a escala da legenda destaca os municípios a partir do valor apontado.
Passar o cursor sobre barras e pontos mostra os valores. Nas tabelas dos mais votados, os botões alternam entre Câmara e Assembleia, e clicar em um nome mostra a trajetória pública do candidato. Em “Parlamentares de referência por município”, os botões trocam o município exibido, e é possível copiar ou enviar pelo WhatsApp um link que já abre a página no município escolhido.
Cada capítulo traz o seu próprio mapa, com o botão “Comparar 2022 e 2026”. Um toque em um município mostra os números; um segundo toque abre a ficha.
O botão Apresentar abre uma versão em telas, própria para projeção. As setas do teclado, a barra de espaço e as teclas PageUp e PageDown avançam e voltam; Home e End vão para a primeira e a última tela; Esc encerra. Nas telas com mapa, o botão “Comparar 2022 e 2026” mostra os valores dos dois anos em cada município. Para apresentar onde não há internet, baixe antes a versão sem internet e abra o arquivo direto no computador.
A nota técnica, com tabelas, mapas, referências e glossário, pode ser baixada em PDF pelos botões da abertura e do rodapé.
O Território reuniu — eleitores aptos no primeiro turno de 2026, praticamente o mesmo número de 2022 (—). A estabilidade do total esconde movimentos distintos: Jaborandi ampliou seu eleitorado em —, enquanto Santa Maria da Vitória teve redução de —.
Instruções de uso do mapa, dos gráficos e do modo apresentação estão em “Como usar esta página”, logo após as quatro constatações.
A taxa de abstenção no Território caiu de — em 2022 para — em 2026, uma redução de — pontos percentuais. No Estado, a queda foi de — ponto, de — para —.
A abstenção diminuiu em nove dos onze municípios. As maiores reduções ocorreram em Santa Maria da Vitória (— p.p.), Correntina (— p.p.) e Canápolis (— p.p.). Coribe e Jaborandi seguiram em direção oposta, com aumento de — e — pontos percentuais, respectivamente.
Os dados oficiais não permitem identificar, por si sós, as causas dessas variações. Atualizações do cadastro eleitoral e dinâmicas de mobilização próprias de cada município podem estar envolvidas, o que requer verificação qualitativa junto às realidades locais.
Lula (PT) obteve no Território — dos votos válidos, e Flávio Bolsonaro (PL), —. No Estado, os percentuais foram de — e —.
A votação do candidato petista recuou nos onze municípios em relação a 2022, com as maiores reduções em Correntina (— p.p.), Tabocas do Brejo Velho (— p.p.) e Jaborandi (— p.p.), e as menores em Serra Dourada (— p.p.) e Santa Maria da Vitória (— p.p.). Em 2022, o Território votou de forma mais favorável a Lula do que o Estado; em 2026, a relação se inverteu.
No país, Lula foi reeleito com — dos votos válidos, contra — de Flávio Bolsonaro. Na Bahia, obteve —. No Território, — (— votos), contra — (— votos) do candidato do PL, e venceu nos onze municípios.
Entre os dois segundos turnos, a votação de Lula no Território recuou — pontos percentuais, ante — ponto no Estado. São Félix do Coribe voltou a registrar a maior votação do candidato do PL (—), e Santa Maria da Vitória foi onde a votação de Lula menos recuou (— p.p.).
A abstenção no Território no segundo turno presidencial caiu de — em 2022 para — em 2026, uma redução de — pontos percentuais, a menor taxa entre as votações analisadas. No Estado, passou de — para —, redução de — pontos.
Entre os dois segundos turnos, a abstenção diminuiu em dez dos onze municípios, com as maiores quedas em Santa Maria da Vitória (— p.p.), Correntina (— p.p.) e Santana (— p.p.). Jaborandi foi a exceção (— p.p.). Em todos os onze municípios, a abstenção do segundo turno de 2026 ficou abaixo da registrada no primeiro.
Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito em primeiro turno. No Território, obteve — dos votos válidos, contra — de ACM Neto (União), vantagem superior à registrada no Estado (— a —).
Ao contrário da eleição presidencial, as variações entre municípios foram heterogêneas. As maiores, a favor do candidato governista, ocorreram em São Félix do Coribe (— p.p.) e Santa Maria da Vitória (— p.p.), dois municípios em que a gestão municipal mudou de alinhamento em relação ao governo estadual. A oposição ampliou sua participação em Santana (— p.p.) e obteve seu melhor desempenho em Correntina (—).
Essa associação não autoriza estabelecer relação de causa e efeito: a votação municipal resulta também da atuação de outros agentes, como o grupo de oposição municipal, vereadores e lideranças comunitárias. E o alinhamento municipal não se transfere automaticamente entre esferas: em São Félix do Coribe, o mesmo eleitorado deu ao candidato do PL à Presidência a maior votação do Território.
Foram eleitos Rui Costa (PT), com — dos votos válidos no Território, e Jaques Wagner (PT), com —, percentuais ligeiramente superiores aos do Estado. Angelo Coronel (Republicanos), que disputou a reeleição fora da chapa governista, obteve —, e João Roma (PL), —.
Percentual dos votos válidos no Território; o traço marca o resultado na Bahia, quando informado.
Em 2026, cada eleitor dispôs de dois votos para o Senado. A comparação com 2022, quando havia uma única vaga, é limitada.
O padrão mais consistente revelado pelos dados é que o eleitorado do Território se posicionou de forma distinta conforme a esfera. As disputas mais diretamente ligadas ao governo estadual concentraram a votação no campo governista. A disputa para a Câmara dos Deputados apresentou equilíbrio, sustentado por uma candidatura de oposição com forte vínculo territorial. A eleição presidencial obedeceu a uma dinâmica de alcance nacional.
Percentual dos votos válidos no Território em 2026. Campo governista: PT, PCdoB, PV, PSD, MDB, Avante, PSB e PDT; oposição: União Brasil, PP e PL. Inclui votos nominais e de legenda; outros partidos não foram atribuídos a nenhum campo.
O Território registrou — votos válidos para Deputado Federal e — para Deputado Estadual. Na disputa federal, os quatro candidatos mais votados reuniram — dos votos válidos.
| Candidato | Partido | Votos no Território | % dos válidos | Situação | Dependência territorial |
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| Candidato | Partido | Votos no Território | % dos válidos | Situação | Dependência territorial |
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Os votos válidos do Território para a Assembleia Legislativa corresponderam a — do quociente eleitoral, praticamente uma cadeira. Ainda assim, nenhum deputado estadual eleito possui vínculo com o Território.
A perda não resultou de dispersão do voto. A candidatura mais votada, Bete de Zé de Agdônio (MDB), obteve — dos votos válidos e concentrou no Território — de sua votação estadual, mas ficou na suplência: o total de votos de seu partido não foi suficiente para conquistar cadeiras que alcançassem sua posição na lista. O mesmo já havia ocorrido em 2022 com outra candidatura de forte base territorial, o que indica um traço recorrente, e não um episódio isolado.
No sistema proporcional de lista aberta, a conversão de votos em cadeiras depende da combinação entre votação individual, desempenho da legenda e posição relativa do candidato na lista. A comparação com o quociente tem caráter apenas ilustrativo, pois ele se aplica às listas partidárias, e não a territórios.
Percentual do quociente aproximado de cada Casa (votos válidos no Estado divididos pelas cadeiras em disputa).
Percentual dos votos nominais, 2022 e 2026.
Na disputa para a Assembleia Legislativa, a votação em candidatas passou de — dos votos nominais do Território em 2022 para — em 2026. Bete de Zé de Agdônio respondeu sozinha por —. Mas apenas — dos votos nominais estaduais foram para candidatas eleitas, porque três das cinco mais votadas ficaram na suplência.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, o movimento foi inverso: a parcela recuou de — para —.
No conjunto do Estado, as mulheres ocuparão — das — cadeiras baianas na Câmara dos Deputados e — das — cadeiras da Assembleia Legislativa, em torno de — em cada Casa.
Percentual dos votos nominais de cada cargo. A barra fina mostra a parcela destinada a candidatas eleitas, quando informada.
Dos — eleitos entre os vinte candidatos mais votados no Território, apenas — possui vínculo com ele: Manuel Rocha, ex-prefeito de Coribe. Os demais chegaram ao eleitorado territorial por meio de alianças com lideranças municipais, o que se expressa em votações fortemente concentradas em um ou dois municípios.
O padrão oposto é o da votação dispersa. Manuel Rocha foi o mais votado em cinco municípios, esteve entre os três eleitos mais votados em todos os onze, e nenhum município concentrou mais de — de sua votação territorial.
Considera-se que um candidato possui vínculo com o Território quando reside ou residiu em município que o compõe, ou quando exerceu cargo de gestão pública em algum deles. A ausência desse vínculo não implica ausência de relação do candidato com o Território.
Votos de cada candidato no Território, separados entre o município em que teve mais votos e os outros dez municípios somados. Estão aqui os candidatos analisados na nota técnica que obtiveram mais da metade de sua votação territorial em um único município e foram os mais votados para o cargo nesse município. Fonte: TSE, resultados do 1º turno por município.
Os candidatos eleitos que obtiveram as maiores votações em cada município e, quando for o caso, o mais votado que ficou na suplência. A identificação tem finalidade exclusivamente informativa: não expressa preferência por parlamentares ou partidos, nem pressupõe compromisso dos eleitos com os municípios. O percentual ao lado de cada nome é a parcela dos votos válidos para aquele cargo no próprio município.
Os números absolutos devem ser lidos junto com os percentuais: a presença de um parlamentar na lista não indica, por si só, uma base eleitoral consolidada no município.
Suplentes podem assumir o mandato em caso de licença, afastamento ou vacância dos titulares, o que é frequente quando parlamentares são nomeados para cargos no Poder Executivo.
Esta leitura combina dados oficiais do TSE com referenciais da antropologia da política e da ciência política. Os quadros abaixo explicam os conceitos utilizados e os termos eleitorais necessários para compreender os números.
Da antropologia da política, a leitura toma a compreensão do voto como fenômeno inscrito em redes de relações pessoais, facções e mediações locais (PALMEIRA; GOLDMAN, 1996). Nessa perspectiva, a votação de um candidato num município é lida como expressão de alianças com lideranças locais, e não apenas como preferência individual do eleitor.
O período eleitoral é tratado como um “tempo da política”, no qual grupos políticos e lideranças locais se ativam e mobilizam suas redes (PALMEIRA; GOLDMAN, 1996). A noção orienta a hipótese, não verificada neste documento, de que a variação da abstenção acompanha a intensidade da disputa em cada município.
No campo da antropologia da política, facção designa grupos políticos locais, organizados em torno de lideranças e de redes de lealdade pessoal, que disputam o poder municipal e estabelecem alianças com grupos estaduais e nacionais (PALMEIRA; GOLDMAN, 1996). O uso é estritamente conceitual e não guarda relação com o emprego corrente do termo para designar organizações criminosas.
A relação entre parlamentares e suas “bases” é construída e mantida por meio de lideranças locais (BEZERRA, 1999). Na leitura, o conceito ampara a interpretação do voto para o Legislativo como resultado dessa relação, o que é compatível com a distribuição distinta desse voto em relação aos cargos majoritários.
A tipologia espacial do voto de Ames (2003) classifica a votação de cada candidatura segundo sua distribuição no território: concentrada ou dispersa, dominante ou compartilhada com outros candidatos. Formulada para a escala estadual, ela é aplicada aqui de forma adaptada à escala do Território.
Para o espectro ideológico, recorre-se à classificação elaborada por consulta a especialistas por Bolognesi, Ribeiro e Codato (2023), usada apenas como referência de contexto, pois a posição de um partido não determina a atuação individual de seus filiados. A análise privilegia o alinhamento das candidaturas em relação ao governo estadual, eixo que organiza as alianças no plano local.
Os resultados de 2026 foram extraídos do sistema oficial de divulgação do TSE, com 100% das seções apuradas: o primeiro turno em 5 de outubro e o segundo turno presidencial em 4 de novembro de 2026. Os resultados de 2022 e os dados cadastrais das candidaturas vêm do Portal de Dados Abertos do TSE. Os resultados municipais foram somados para compor o agregado do Território e comparados com os do Estado.
A situação de totalização pode ser alterada por decisões judiciais até a diplomação; a última conferência dos dados com o TSE foi feita em 6 de novembro de 2026. A análise mede onde os votos foram depositados, e não o domicílio ou a atuação dos candidatos. As trajetórias públicas foram reconstituídas a partir da imprensa, tratada como fonte secundária. A comparação entre 2022 e 2026 envolve candidaturas e arranjos partidários distintos, e as variações devem ser lidas como mudanças no comportamento agregado do eleitorado.
Referências completas no rodapé desta página e na nota técnica em PDF.
A abstenção recuou de forma mais acentuada no Território do que no conjunto do Estado, o que praticamente eliminou a diferença de participação que os separava em 2022. A redução foi heterogênea entre os municípios, e suas causas não podem ser determinadas apenas a partir dos dados oficiais.
Na eleição presidencial, o eleitorado acompanhou uma tendência de alcance nacional. Nas disputas para o Governo do Estado e para a Assembleia Legislativa, concentrou votação no campo governista. Na disputa para a Câmara dos Deputados, distribuiu-se de forma equilibrada entre os campos. O alinhamento das gestões municipais não se transfere de modo automático ao voto presidencial.
O Território manteve na Câmara dos Deputados um parlamentar com vínculo territorial e deixou de contar com representante com esse vínculo na Assembleia Legislativa. A perda não decorreu da dispersão do voto, mas da forma como o sistema proporcional de lista aberta converte votos em cadeiras. O mesmo descompasso aparece no recorte de gênero.
A maior parte dos parlamentares eleitos com votação expressiva no Território tem sua base principal em outras regiões e alcançou o eleitorado territorial por meio de alianças com lideranças municipais. A interlocução com o Legislativo na próxima legislatura envolverá um conjunto amplo e diverso de parlamentares, de diferentes campos políticos.
As interpretações aqui apresentadas são provisórias e abertas ao debate. Pretende-se que esta leitura contribua para o conhecimento do Território sobre si mesmo e para a qualificação do diálogo entre a sociedade e as instituições de representação política.
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